{"id":26,"date":"2010-07-13T19:29:09","date_gmt":"2010-07-13T19:29:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/?p=26"},"modified":"2010-07-13T19:29:09","modified_gmt":"2010-07-13T19:29:09","slug":"a-historia-da-cidade-atraves-de-imagens-no-livro-comemorativo-do-bicentenario-de-porto-alegre-brasilrs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/a-historia-da-cidade-atraves-de-imagens-no-livro-comemorativo-do-bicentenario-de-porto-alegre-brasilrs\/","title":{"rendered":"A hist\u00f3ria da cidade atrav\u00e9s de imagens no livro comemorativo do bicenten\u00e1rio de Porto Alegre (Brasil\/RS)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><strong>Charles Monteiro<a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftn1\"><strong>[1]<\/strong><\/a><\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><strong>Abstract:<\/strong><\/p>\n<p><strong> <\/strong><\/p>\n<p>O objetivo deste texto \u00e9 problematizar a utiliza\u00e7\u00e3o de imagens fotogr\u00e1ficas na obra <em>Porto Alegre: Biografia duma cidade<\/em> para construir uma hist\u00f3ria visual da cidade no contexto das comemora\u00e7\u00f5es do bicenten\u00e1rio de coloniza\u00e7\u00e3o da cidade (1940) e das reformas urbanas em curso na administra\u00e7\u00e3o de Loureiro da Silva.<\/p>\n<p>Em <em>Rumo a uma \u2018Hist\u00f3ria Visual<\/em>\u00b4, Meneses prop\u00f5e que o estudo sobre imagens se realize a partir de uma reflex\u00e3o que relacione tr\u00eas dom\u00ednios complementares: o visual, o vis\u00edvel e a vis\u00e3o (Meneses, 2005, p 33-56). O dom\u00ednio do <em>visual<\/em> compreenderia os sistemas de comunica\u00e7\u00e3o visual e os ambientes visuais, bem como \u201cos suportes institucionais dos sistemas visuais, as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, sociais e culturais de produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o, consumo e a\u00e7\u00e3o dos recursos e produtos visuais\u201d, para poder circunscrever \u201ca <em>iconosfera<\/em>, isso \u00e9, o conjunto de imagens-guia de um grupo social ou de uma sociedade num dado momento e com o qual ela interage\u201d (Ibid., p. 35). Para Meneses, o dom\u00ednio do <em>vis\u00edvel<\/em> e o do invis\u00edvel situa-se na esfera do poder e do controle social, do ver e ser visto, do dar-se a ver ou n\u00e3o dar-se a ver, da visibilidade e da invisibilidade (Ibid., p. 36). J\u00e1 a<em> vis\u00e3o<\/em> \u201ccompreende os instrumentos e t\u00e9cnicas de observa\u00e7\u00e3o, o observador e seus pap\u00e9is, os modelos e modalidades do olhar\u201d de uma \u00e9poca (Ibid., p. 38).<\/p>\n<p>No Brasil, a tradi\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o de \u00e1lbuns fotogr\u00e1ficos remonta \u00e0 segunda metade do s\u00e9culo XIX. Entre outras iniciativas pode-se citar: o \u00e1lbum comparativo da cidade de S\u00e3o Paulo produzido por Milit\u00e3o (1862-1887); os \u00e1lbuns de vistas do Rio de Janeiro com fotografias de Marc Ferrez; aqueles publicados pela Casa Leuzinger; a obra <em>\u00c1lbum de vues du Br\u00e9sil<a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftn2\"><strong>[2]<\/strong><\/a><\/em>; o \u00e1lbum oficial da inaugura\u00e7\u00e3o de Belo Horizonte e, para Porto Alegre, os \u00e1lbuns produzidos pelos Irm\u00e3os Ferrari (em 1888 e 1897), por Virgilio Calegari (c. 1912) e pela Editora do Globo (em 1935). Em 1922, as comemora\u00e7\u00f5es do Centen\u00e1rio da Independ\u00eancia incentivaram a publica\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de \u00e1lbuns fotogr\u00e1ficos da capital e de v\u00e1rias cidades brasileiras.<\/p>\n<p>Entre as investiga\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas que trataram desse tipo de produ\u00e7\u00e3o visual, merece destaque a obra <em>Cidade e Fotografia<\/em>, de Solange Ferraz de Lima e V\u00e2nia Carneiro de Carvalho, sobre a constru\u00e7\u00e3o da visualidade urbana de S\u00e3o Paulo na virada do s\u00e9culo XX e nos anos 1950. A pesquisa das autoras prop\u00f5e um conjunto de quest\u00f5es te\u00f3ricas e uma metodologia de interpreta\u00e7\u00e3o das imagens a partir da defini\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es ic\u00f4nicos e formais para compreender as narrativas e as tend\u00eancias visuais que definem a visualidade da cidade de S\u00e3o Paulo na virada do s\u00e9culo XIX para o XX, e na d\u00e9cada de 1950.<\/p>\n<p>Entre as pesquisas sobre Porto Alegre, merece destaque a pesquisa desenvolvida por Alexandre Ricardo dos Santos (1998) sobre as representa\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas do corpo entre 1890 e 1920. O autor pesquisou a produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica do ateli\u00ea de Virg\u00edlo Calegari, importante fot\u00f3grafo italiano em atua\u00e7\u00e3o na cidade, que produziu uma s\u00e9rie de vistas da cidade. Essa pesquisa pioneira permite conhecer o campo fotogr\u00e1fico na cidade na virada do s\u00e9culo XIX para o s\u00e9culo XX e suas rela\u00e7\u00f5es com a pintura art\u00edstica, embora n\u00e3o aborde especificamente a produ\u00e7\u00e3o de vistas urbanas.<\/p>\n<p>A disserta\u00e7\u00e3o de Carolina Martins Etcheverry (2007) sobre os \u00e1lbuns de vistas urbanas, produzidos pelos ateli\u00eas dos Irm\u00e3os Ferrari e de Virg\u00edlio Calegari, entre 1890 e 1937, estabelece um di\u00e1logo entre as concep\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas e os modos de ver da fotografia com aqueles da tradi\u00e7\u00e3o da pintura paisag\u00edstica urbana, evidenciando suas liga\u00e7\u00f5es. A disserta\u00e7\u00e3o de Sinara Bonamigo Sandri (2007) tamb\u00e9m analisa a produ\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica de Virg\u00edlio Calegari e procura discutir n\u00e3o s\u00f3 como o fot\u00f3grafo responde \u00e0 demanda das elites de representa\u00e7\u00e3o de uma cidade em processo de moderniza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m como esse fot\u00f3grafo produziu a mem\u00f3ria de certos espa\u00e7os e formas tradicionais de experi\u00eancia urbana que estavam desaparecendo na virada do s\u00e9culo XIX para o XX.<\/p>\n<p>Zita Rosane Possamai (2005), em sua tese de doutorado, realizou a primeira investiga\u00e7\u00e3o de maior f\u00f4lego sobre \u00e1lbuns fotogr\u00e1ficos de Porto Alegre nas d\u00e9cadas de 1920 e 30.\u00a0 A autora procurou verificar em que medida as imagens fotogr\u00e1ficas da cidade nesses \u00e1lbuns constru\u00edram uma nova visualidade urbana, tecendo narrativas sobre a cidade e jogando com opera\u00e7\u00f5es de mem\u00f3ria e esquecimento. Os \u00e1lbuns s\u00e3o vistos como narrativas que apresentam uma ordena\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, onde os elementos s\u00e3o dispostos de forma hier\u00e1rquica, produzindo uma imagem s\u00edntese da cidade imaginada e desejada pelas elites e pela administra\u00e7\u00e3o municipal. No plano metodol\u00f3gico, a autora adequou para a sua pesquisa a proposta elaborada por Lima e Carvalho (1997) de constru\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es ic\u00f4nicos e formais, visando a analisar os padr\u00f5es de visualidade urbana elaborados nos \u00e1lbuns. A pesquisa de Possamai tratou dos \u00e1lbuns de 1922, 1931 e 1935, que davam destaque \u00e0s imagens das \u00e1reas centrais da cidade, das principais avenidas e ruas, bem como dos edif\u00edcios p\u00fablicos e privados da cidade. O \u00e1lbum de 1935 foi editado em comemora\u00e7\u00e3o \u00e0 Exposi\u00e7\u00e3o Farroupilha de 1935 e aos 100 anos da Guerra dos Farrapos. No entanto, ainda n\u00e3o h\u00e1 trabalhos sobre a visualidade urbana dos anos 1940, nem um trabalho espec\u00edfico sobre padr\u00f5es visuais urbanos em \u00e1lbuns fotogr\u00e1ficos da d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n<p>O livro ilustrado <em>Porto Alegre: Biografia duma cidade<\/em> foi publicado em homenagem \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es dos 200 anos de coloniza\u00e7\u00e3o da cidade, em 1940, como se pode ler em sua folha de rosto. A obra se insere na tradi\u00e7\u00e3o de edi\u00e7\u00e3o p\u00fablica e privada de \u00e1lbuns fotogr\u00e1ficos e de obras ilustradas comemorativas publicadas entre o final do s\u00e9culo XIX e a primeira metade do s\u00e9culo XX. As imagens fotogr\u00e1ficas que acompanham os textos colocam a obra numa linha de continuidade em rela\u00e7\u00e3o aos \u00e1lbuns anteriormente produzidos pelos ateli\u00eas fotogr\u00e1ficos de Ferrari (1888; 1897) e Calegari (c.1912), bem como as de edi\u00e7\u00e3o comemorativas de 1922 e 1935.<\/p>\n<p>Ela foi oficializada pela Prefeitura e contou com o apoio do governo do Estado e de diversas secretarias, al\u00e9m de v\u00e1rias entidades culturais como: o Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Rio Grande do Sul, o Instituto de Belas Artes do Rio Grande do Sul, a Universidade de Porto Alegre, a Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es Comerciais do Rio Grande do Sul, a Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Porto Alegre e diversos sindicatos de classe.<\/p>\n<p>O significado do t\u00edtulo <em>Porto Alegre: Biografia duma cidade<\/em> \u00e9 complementado pelo subt\u00edtulo: Monumento do passado, documento do presente e guia do futuro. A obra se insere no contexto de centraliza\u00e7\u00e3o administrativa do Estado Novo e de um processo autorit\u00e1rio de reformas urbanas promovidas pela administra\u00e7\u00e3o de Loureiro da Silva.<em> <\/em><\/p>\n<p>Em 1940, Porto Alegre era uma cidade em pleno crescimento populacional e econ\u00f4mico. A \u00e1rea urbana contava com cerca de 350 mil habitantes e o todo o munic\u00edpio (com a \u00e1rea rural) com 385 mil<a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftn3\">[3]<\/a>. Os \u00edndices de crescimento econ\u00f4mico e social apresentados na obra pelo governo municipal, em 1940, eram positivos no tocante \u00e0 ind\u00fastria, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o civil, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, \u00e0 eletrifica\u00e7\u00e3o, ao saneamento, ao movimento portu\u00e1rio, aos transportes urbanos e \u00e0s obras de urbaniza\u00e7\u00e3o. As liga\u00e7\u00f5es de Porto Alegre com o centro do pa\u00eds foram incrementadas por via rodovi\u00e1ria e a\u00e9rea, com linhas regulares ligando Porto Alegre ao Rio de Janeiro e a S\u00e3o Paulo, mas tamb\u00e9m por meio de liga\u00e7\u00f5es ferrovi\u00e1rias \u2013 que se estendem para o interior do Estado \u2013 e mar\u00edtimas que, por meio do porto de Rio Grande, ligavam o Estado com todo o Brasil e o exterior. A economia do Estado do Rio Grande do Sul foi favorecida pelo contexto da II Guerra Mundial e pelo crescimento da ind\u00fastria nacional, que impulsionou o desenvolvimento agr\u00edcola e industrial subsidi\u00e1rio regional (M\u00fcller, 1993, p. 358-370).<\/p>\n<p>A paisagem urbana de Porto Alegre passou por uma grande remodela\u00e7\u00e3o com a realiza\u00e7\u00e3o de obras vi\u00e1rias, a cria\u00e7\u00e3o de parque e pra\u00e7as, a canaliza\u00e7\u00e3o do Arroio Dil\u00favio, a urbaniza\u00e7\u00e3o da orla do Gua\u00edba (Zona Sul), o in\u00edcio da verticaliza\u00e7\u00e3o do centro, a reorganiza\u00e7\u00e3o administrativa, a constru\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios pr\u00e9dios p\u00fablicos e o incremento da constru\u00e7\u00e3o civil em novas \u00e1reas da cidade (Monteiro, 2006a, p. 35-89). A moderniza\u00e7\u00e3o da agropecu\u00e1ria provocou o \u00eaxodo rural e as migra\u00e7\u00f5es internas no Rio Grande do Sul. O movimento de migra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es das pequenas cidades do interior rumo \u00e0 capital incrementou o crescimento urbano de Porto Alegre.<a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftn4\">[4]<\/a><\/p>\n<p>Ren\u00e9 E. Gertz, no livro <em>O Estado Novo no Rio Grande do Sul<\/em> (2005), discute a vis\u00e3o que se tem sobre o per\u00edodo e de que os dados nem sempre comprovam a imagem de um per\u00edodo de crescimento econ\u00f4mico e de import\u00e2ncia pol\u00edtica do estado no contexto nacional. No cap\u00edtulo sobre a cultura no Estado Novo, o autor afirma que boa parte da intelectualidade local que pertencia ao Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Rio Grande do Sul, \u00e0 Academia Rio-grandense de Letras, \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Rio-grandense de Imprensa e \u00e0 Universidade de Porto Alegre conviveu sem maiores conflitos com o Estado Novo.<\/p>\n<p>Nesse sentido, pode-se observar uma pol\u00edtica cultural de duplo sentido. Por um lado, utilizava-se de instrumentos de censura e repress\u00e3o policial para controlar a produ\u00e7\u00e3o intelectual. Por outro, procurou cooptar intelectuais atrav\u00e9s de sua nomea\u00e7\u00e3o para o exerc\u00edcio de cargos p\u00fablicos, bem como do apoio a realiza\u00e7\u00e3o de congressos, a publica\u00e7\u00e3o de livros e a cria\u00e7\u00e3o de revistas e de jornais (GOMES, 1996). O Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Rio Grande do Sul foi o principal lugar de produ\u00e7\u00e3o e legitima\u00e7\u00e3o dos discursos hist\u00f3ricos sobre a forma\u00e7\u00e3o da sociedade sul-rio-grandense e porto-alegrense (Gutfreind, 1992, p. 9-36).<\/p>\n<p>As s\u00e9ries de imagens fotogr\u00e1ficas da cidade se inserem ao lado dos textos produzidos pelos historiadores, que se caracterizam como uma releitura dos textos anteriormente escritos sobre a funda\u00e7\u00e3o de Porto Alegre, em fun\u00e7\u00e3o daquele presente marcado por reformas urbanas e a busca de legitima\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica urbana de um prefeito nomeado por um Interventor Federal (Monteiro, 2006a).<\/p>\n<p>As comemora\u00e7\u00f5es do Bicenten\u00e1rio da Coloniza\u00e7\u00e3o de Porto Alegre, em 1940, enquadravam-se perfeitamente na cenografia comemorativa do Estado Novo (1937-1945), tanto na sua dimens\u00e3o coletiva grandiosa quanto na utiliza\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos nacionais. As comemora\u00e7\u00f5es come\u00e7aram em 5 de novembro e estenderam-se at\u00e9 31 de novembro de 1940, englobando tamb\u00e9m a comemora\u00e7\u00e3o da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica e o \u201canivers\u00e1rio do Estado Novo\u201d em 10 de novembro. Logo, as comemora\u00e7\u00f5es locais inseriram-se no quadro das comemora\u00e7\u00f5es oficiais do regime, com a farta utiliza\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos nacionais (Bandeira e Hino) e a presen\u00e7a do presidente da Rep\u00fablica, Get\u00falio Vargas<a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftn5\">[5]<\/a>.<\/p>\n<p>Nesse sentido, \u00e9 que nos parece estrat\u00e9gico problematizar as imagens fotogr\u00e1ficas da cidade, utilizadas e produzidas no livro <em>Porto Alegre: Biografia duma cidade<\/em>, visando a compreender a constru\u00e7\u00e3o de um padr\u00e3o de visualidade urbana, que destacava certos sujeitos, lugares, tempos, acontecimentos e significados da experi\u00eancia social urbana, respondendo a demanda de mem\u00f3ria da sociedade porto-alegrense frente \u00e0s profundas reformas urbanas em curso.<\/p>\n<p>A obra se insere no contexto da nova cultura visual do per\u00edodo, marcada pela expans\u00e3o do cinema como espet\u00e1culo de massa, pelo crescimento do espa\u00e7o para a publicidade, fotografias e fotorreportagens nas revistas ilustradas e, ainda, pelo uso moderado da fotografia informativa e publicit\u00e1ria nos jornais di\u00e1rios. A <em>Revista do Globo<\/em> publicava fotorreportagens sobre a cidade, dando lugar de destaque \u00e0 fotografia em suas p\u00e1ginas, bem como os cr\u00e9ditos aos fot\u00f3grafos que produziam as imagens. J\u00e1 o jornal <em>Correio do Povo<\/em> utilizava fotografias, mas ainda de forma complementar ao texto escrito, sem construir um discurso pr\u00f3prio em imagens, e sem dar os cr\u00e9ditos aos fot\u00f3grafos. Os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos contratavam fot\u00f3grafos para fazer o registro das principais obras e realiza\u00e7\u00f5es administrativas do governo do Estado. Tamb\u00e9m existiam v\u00e1rios est\u00fadios fotogr\u00e1ficos na cidade, respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de fotografias de batizados, casamentos, formaturas das elites e camadas m\u00e9dias (Possamai, 2005, p. 45-108).<\/p>\n<p>Na obra <em>Porto Alegre: Biografia duma cidade<\/em>, as fotografias do s\u00e9culo XIX dialogam com fotografias dos anos 1930 e 1940, com tabelas estat\u00edsticas, mapas e textos, construindo um discurso imag\u00e9tico que visava a comprovar e a legitimar o papel preponderante dos governos municipal e estadual no processo de moderniza\u00e7\u00e3o da cidade. As comemora\u00e7\u00f5es e as obras p\u00fablicas adquirem nova significa\u00e7\u00e3o quando relacionadas \u00e0s imagens fotogr\u00e1ficas do passado.<\/p>\n<p>Os organizadores da publica\u00e7\u00e3o foram o Capit\u00e3o \u00c1lvaro Franco, o Major Professor Morency de Couto e Silva e o editor L\u00e9o Jer\u00f4nimo Schidrowitz. Este \u00faltimo era um fot\u00f3grafo estrangeiro que se estabeleceu em Porto Alegre, fugindo da guerra na Europa. A escolha dos organizadores aponta para o car\u00e1ter oficial da publica\u00e7\u00e3o e para a busca de um padr\u00e3o editorial de alta qualidade e de grande impacto visual.\u00a0 A obra em foco mostra a uni\u00e3o de diversos setores culturais e institucionais ao redor das comemora\u00e7\u00f5es dos 200 anos de coloniza\u00e7\u00e3o de Porto Alegre. A obra contou com a colabora\u00e7\u00e3o de diversos intelectuais com graus diferentes de rela\u00e7\u00e3o com a administra\u00e7\u00e3o municipal e estadual.<a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftn6\">[6]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-61\" title=\"charles6\" src=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles6.jpg\" alt=\"\" width=\"139\" height=\"184\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Franco, A et al, <strong>Porto Alegre: Biografia duma cidade. Monumento do passado, documento do presente, guia do Futuro<\/strong>, Porto Alegre, Tipografia do Centro, s.d. [1941].<\/p>\n<p>O livro \u00e9 de grande formato com 37 cm x 27 cm em capa dura (t\u00edtulo em letras douradas) perfazendo um total de 664 p\u00e1ginas, com v\u00e1rias ilustra\u00e7\u00f5es em aquarela, fotografia e gr\u00e1ficos. O design da capa \u00e9 um ind\u00edcio de suas filia\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e hist\u00f3ricas. O titulo da s\u00e9rie (Bras\u00edlia Aeterna) e a capa em verde e amarelo, com as cores da bandeira do Brasil, apontam para a inser\u00e7\u00e3o da comemora\u00e7\u00e3o local na esfera do nacional. No centro da capa em dourado, sobre um fundo verde e amarelo, observa-se uma reprodu\u00e7\u00e3o do monumento \u00e0 Julio de Castilhos (l\u00edder positivista e ex-presidente do estado do rio Grande do Sul) ladeado por duas palmeiras (\u00e1rvores que representam a flora tropical brasileira) A presen\u00e7a da grava\u00e7\u00e3o em dourado representa os elos da publica\u00e7\u00e3o com a valoriza\u00e7\u00e3o de um determinado momento da hist\u00f3ria local, marcado tamb\u00e9m pela centraliza\u00e7\u00e3o, pela continuidade e pelo autoritarismo na administra\u00e7\u00e3o estadual e municipal.<\/p>\n<p>A<em> Parte Geral<\/em> abrange considera\u00e7\u00f5es gerais sobre geografia, clima, flora e fauna, bem como apresenta tabelas com dados estat\u00edsticos da demografia, da economia e da urbaniza\u00e7\u00e3o da capital e compreende 60 p\u00e1ginas (p. 17-78). A <em>Segunda Parte<\/em>, chamada <em>Passado<\/em>, re\u00fane 15 pequenos ensaios sobre a hist\u00f3ria de Porto Alegre; as origens da sociedade; a evolu\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica; a hist\u00f3ria pol\u00edtica da cidade; homens que se destacaram pelo bem comum, cultura e desenvolvimento intelectual, e A vida na velha Porto Alegre. Reminisc\u00eancias gr\u00e1ficas e tem 160 p\u00e1ginas (p. 79-240). A <em>Terceira Parte<\/em>, chamada <em>Presente e Futuro<\/em>, est\u00e1 dividida em 12 partes: Excurs\u00e3o caleidosc\u00f3pica atrav\u00e9s da cidade; A capital pol\u00edtica e administra\u00e7\u00e3o; O aspecto espiritual e religioso; Porto Alegre Centro Universit\u00e1rio; A vida cultural e liter\u00e1ria; A capital como centro de irradia\u00e7\u00e3o comercial e industrial; T\u00e9cnica e progresso; Porto Alegre \u2013 Centro de irradia\u00e7\u00e3o tur\u00edstica; A vida social; As comemora\u00e7\u00f5es bicenten\u00e1rias; A cidade do futuro; e Contempla\u00e7\u00e3o moderna da cidade (p. 241-664). A obra privilegia quantitativamente o presente e a obra administrativa e pol\u00edtica do Estado Novo perfazendo um total de 425 p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>Na impossibilidade de analisar todas as imagens das 664 p\u00e1ginas, este estudo concentrou-se em duas s\u00e9ries espec\u00edficas dentro dessa obra, que s\u00e3o propostas ao leitor como hist\u00f3rias visuais do passado e do presente: \u201cA vida na velha Porto Alegre. Reminisc\u00eancias gr\u00e1ficas\u201d (Franco, 1941, p. 225-240) inserida na Segunda Parte do livro sobre o <em>Passado da Cidade<\/em>; e \u201cExcurs\u00e3o caleidosc\u00f3pica atrav\u00e9s da cidade\u201d (Ibid., p. 243-292) situada na Terceira Parte da obra, <em>O Presente e o Futuro da cidade<\/em>.<\/p>\n<p>A primeira s\u00e9rie de fotografias intitulada de <em>A vida na velha Porto Alegre: Reminisc\u00eancias gr\u00e1ficas<\/em> \u00e9 composta por 37 imagens.<a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftn7\">[7]<\/a> O t\u00edtulo da s\u00e9rie estabelece uma dist\u00e2ncia entre o presente e o passado, e uma valora\u00e7\u00e3o dessa dist\u00e2ncia ao referir-se \u00e0 \u201cvelha\u201d cidade. As imagens possuem diferentes formatos: uma de p\u00e1gina inteira (24 x 19 cm), 24 de \u00bd p\u00e1gina (12 x 19 cm), seis de \u00bc de p\u00e1gina (12 x 9 cm) e seis de 1\/6 de p\u00e1gina (8 x 9 cm). Os tamanhos das fotografias s\u00e3o levemente irregulares, variando em at\u00e9 cerca de meio cent\u00edmetro. O que n\u00e3o chega a provocar um efeito de assimetria devido \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o das imagens na p\u00e1gina. Nessa s\u00e9rie h\u00e1 um predom\u00ednio de imagens de grande formato no sentido horizontal (25 fotos), o que produz um efeito de monumentalidade e de estabilidade das representa\u00e7\u00f5es sobre o passado da cidade. Ou seja, n\u00e3o se tratava apenas de oferecer um conjunto de imagens que documentassem a vida e a cultura urbana na velha Porto Alegre, utilizando-se da fotografia como um duplo do real e atesta\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de lugares e eventos no passado, mas tamb\u00e9m de monumentalizar e valorizar esse passado como uma esp\u00e9cie de alicerce do presente.<\/p>\n<p>O recorte temporal das imagens pode ser divido da seguinte forma: 13 fotografias referem-se ao per\u00edodo entre 1880-1890; 22 fotografias, ao per\u00edodo entre 1900-1910, e duas fotografias, precisamente ao ano de 1935. O recorte temporal da hist\u00f3ria da cidade produzido pela sele\u00e7\u00e3o das fotografias privilegia o final do s\u00e9culo XIX e o in\u00edcio do s\u00e9culo XX, destacando as formas de sociabilidade p\u00fablicas, o crescimento do per\u00edmetro urbano e a moderniza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea central da cidade na Primeira Rep\u00fablica. A s\u00e9rie valoriza a a\u00e7\u00e3o administrativa e as obras realizadas pelas administra\u00e7\u00f5es republicanas, da mesma forma que os textos sobre a hist\u00f3ria da cidade publicados nessa obra colocam em destaque as realiza\u00e7\u00f5es e os nomes dos intendentes da Primeira Rep\u00fablica, relacionando-os ao presente. Cria-se, assim, um elo entre o legado dos administradores do passado e as realiza\u00e7\u00f5es do presente.<\/p>\n<p>O recorte espacial produzido pelas imagens sobre a cidade pode ser sinteticamente organizado da seguinte forma: fotos em interiores de est\u00fadio (4); fotos de espa\u00e7os urbanos (24); fotos de espa\u00e7os semi-urbanos ou semi-rurais (3); espa\u00e7os rurais (4); outros espa\u00e7os ou espa\u00e7os indefinidos (2). H\u00e1 um claro predom\u00ednio dos espa\u00e7os urbanos frente aos espa\u00e7os rurais (ch\u00e1caras) e semi-rurais, que caracterizariam boa parte do territ\u00f3rio pertencente ao munic\u00edpio de Porto Alegre naquele per\u00edodo.\u00a0 Entre as 24 fotografias de espa\u00e7os urbanos, destacam-se as \u00e1reas centrais da cidade \u2013 as principais ruas e pr\u00e9dios \u2013 dando \u00eanfase ao processo de urbaniza\u00e7\u00e3o e moderniza\u00e7\u00e3o em curso na virada do s\u00e9culo XIX para o XX.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da s\u00e9rie aponta para o predom\u00ednio de certos grupos tem\u00e1ticos e conte\u00fados representados, aqui organizados em dois eixos: \u201cprincipais temas\u201d e \u201cgrupos sociais\u201d. Os \u201cprincipais temas\u201d presentes na s\u00e9rie s\u00e3o: Arquitetura (12), Lazer (11), Meios de Transporte (9), Exposi\u00e7\u00f5es Comercias (6), Esporte (6) Retrato (4) e Trabalho (3). Os principais grupos tem\u00e1ticos organizados a partir da an\u00e1lise de conte\u00fado apontam para a representa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano a partir da arquitetura (pr\u00e9dios do centro da cidade e pavilh\u00f5es de exposi\u00e7\u00e3o); de pr\u00e1ticas sociais ligadas ao lazer (bailes, <em>footing<\/em>, bar) e ao esporte (ciclismo, remo, ca\u00e7adas, corridas); aos meios de transporte (bondes e autom\u00f3veis, o que constr\u00f3i o significado de circula\u00e7\u00e3o urbana ou da cidade em movimento).<\/p>\n<p>Os temas representados se articulam com os principais grupos sociais representados para formar a imagem de cidade que se queria construir naquele contexto. Sinteticamente, poder-se-ia distribuir as imagens dos grupos sociais da seguinte forma: grupos sociais pertencentes \u00e0s elites administrativas e econ\u00f4micas urbanas (13 fotos), grupos sociais pertencentes \u00e0s camadas m\u00e9dias urbanas (12 fotos), e grupos sociais pertencentes \u00e0s camadas populares urbanas (5 fotos). A sele\u00e7\u00e3o das fotografias privilegia a representa\u00e7\u00e3o das elites, sua centralidade e predomin\u00e2ncia no processo de elabora\u00e7\u00e3o de uma nova cultura urbana, a partir da associa\u00e7\u00e3o e da repeti\u00e7\u00e3o de certas formas e espa\u00e7os privilegiados de sociabilidade na cidade relacionados \u00e0quela elite. Os quatro retratos s\u00e3o de mulheres da elite e da burguesia local apresentadas como modelos de respeitabilidade, beleza, bem vestir, eleg\u00e2ncia e estar na moda (Franco, 1941, p. 226).<\/p>\n<p>Em segundo lugar, com 12 fotos, as camadas m\u00e9dias urbanas s\u00e3o tamb\u00e9m representadas como grupos sociais associados ao processo de moderniza\u00e7\u00e3o das formas e dos espa\u00e7os de sociabilidade da cultura urbana. As camadas populares aparecem representadas em associa\u00e7\u00e3o com o trabalho em tr\u00eas das cinco imagens (aguadeiro, acendedores de lampi\u00f5es, vendedores de bilhetes) em alto n\u00edvel de tipifica\u00e7\u00e3o. Ou seja, trata-se da representa\u00e7\u00e3o de uma atividade profissional e n\u00e3o de um indiv\u00edduo em particular retratado. Embora, o mesmo pudesse ser dito das fotos de mulheres da elite, como \u201cSenhora da alta aristocracia\u201d e \u201cJovem pronta para um passeio\u201d, nesses casos os significados sociais constru\u00eddos s\u00e3o de distin\u00e7\u00e3o e prest\u00edgio social.<\/p>\n<p>A fotografia \u201co aguadeiro\u201d (Franco, 1941, p. 225), escolhida para abrir a s\u00e9rie <em>A vida na velha Porto Alegre<\/em>, \u00e9 uma imagem s\u00edntese de v\u00e1rios significados constru\u00eddos, que se procurava transmitir atrav\u00e9s dessa hist\u00f3ria visual da cidade. Trata-se de uma fotografia posada de um aguadeiro (vendedor de \u00e1gua pot\u00e1vel proveniente de fontes dos arredores da cidade) da virada do s\u00e9culo O fot\u00f3grafo estudou e construiu cuidadosamente a cena para registrar uma pr\u00e1tica social que estava prestes a desaparecer, visando a sua comercializa\u00e7\u00e3o devido ao car\u00e1ter pitoresco e folcl\u00f3rico da cena. Em primeiro lugar, o cavalo, as \u00e1rvores e o campo ao fundo remetem ao mundo rural e ao passado de lutas pela conquista da regi\u00e3o. Em segundo lugar, o homem negro liberto (p\u00e9s descal\u00e7os e casaco militar), tipificado e folclorizado como o \u201caguadeiro\u201d, representava a mem\u00f3ria do passado escravocrata e agropastoril da sociedade local. Nas est\u00e2ncias, os pe\u00f5es eram respons\u00e1veis pelo abate do gado e pela prepara\u00e7\u00e3o da carne para fazer o produto t\u00edpico de exporta\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o: o charque. Finalmente, a imagem apontava para a precariedade dos servi\u00e7os p\u00fablicos urbanos e para a falta de higiene na velha cidade, problemas que teriam sido combatidos e sanados pela a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica e modernizadora das administra\u00e7\u00f5es republicanas do passado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-62\" title=\"charles1\" src=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles1-300x198.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"198\" srcset=\"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles1-300x198.jpg 300w, https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles1-768x507.jpg 768w, https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles1-1024x676.jpg 1024w, https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles1-1200x793.jpg 1200w, https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles1.jpg 1673w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 85vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Franco, \u00c1lvaro et al, <strong>Porto Alegre: Biografia duma cidade. Monumento do passado, documento do presente, guia do Futuro<\/strong>, Porto Alegre, Tipografia do Centro, s.d. [1941].<\/p>\n<p>A imagem que fecha a s\u00e9rie (Franco, 1941, p. 240) constr\u00f3i uma ponte entre o passado her\u00f3ico rural e a cidade moderna do presente. Por um lado, a fotografia da Exposi\u00e7\u00e3o do Centen\u00e1rio da Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha de 1935 representa a celebra\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os com um passado marcado pelo hero\u00edsmo das lutas da elite agropastoril contra o Imp\u00e9rio, em busca de maior autonomia pol\u00edtica frente ao processo de centraliza\u00e7\u00e3o em curso, e em defesa de seus interesses econ\u00f4micos ligados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o do charque. Na entrada da exposi\u00e7\u00e3o, em frente ao p\u00f3rtico monumental, impunha-se a est\u00e1tua de Bento Gon\u00e7alves. Por outro lado, essa foto a\u00e9rea panor\u00e2mica representa o processo de crescimento, moderniza\u00e7\u00e3o e higieniza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano atrav\u00e9s do destaque para as avenidas, que avan\u00e7am sobre novas \u00e1reas e cortam a paisagem.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-63\" title=\"charles2\" src=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles2-300x209.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"209\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles2.jpg\"><\/a><a href=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles7.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-64\" title=\"charles7\" src=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles7-300x203.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"203\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Franco, \u00c1lvaro et al, <strong>Porto Alegre: Biografia duma cidade. Monumento do passado, documento do presente, guia do Futuro<\/strong>, Porto Alegre, Tipografia do Centro, s.d. [1941].<\/p>\n<p>A segunda s\u00e9rie de fotografias, intitulada <em>Excurs\u00e3o caleidosc\u00f3pica atrav\u00e9s da cidade<\/em>, est\u00e1 composta por 64 imagens (Franco, 1941, p. 243-292). O t\u00edtulo da s\u00e9rie constr\u00f3i a id\u00e9ia de mobilidade, dinamismo e fluidez das imagens da cidade. Essa segunda s\u00e9rie \u00e9 bem mais extensa, tendo quase o dobro de imagens (64 fotos) que a primeira s\u00e9rie (37 fotos). Como na primeira s\u00e9rie, as imagens possuem diferentes tamanhos: 37 fotografias de p\u00e1gina inteira (27,5 x 18,5 cm), 15 fotografias de \u00bd p\u00e1gina (12,5 x 18,5 cm) e 12 de \u00bc de p\u00e1gina (12 x 9 cm) ou menos. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 primeira s\u00e9rie, h\u00e1 um n\u00famero maior de fotografias de tamanho grande (52 fotos), dentre as quais mais da metade das imagens (37 fotos) ocupam p\u00e1gina inteira. O predom\u00ednio de fotografias de tamanho grande produz um efeito de monumentaliza\u00e7\u00e3o dos temas representados: pr\u00e9dios, avenidas, monumentos, etc.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao formato das fotografias, 29 foram publicadas na p\u00e1gina no formato ret\u00e2ngulo horizontal, e 35 no formato ret\u00e2ngulo vertical. Essa op\u00e7\u00e3o atendeu a escolhas t\u00e9cnicas no sentido de valorizar a representa\u00e7\u00e3o do referente. As igrejas, os monumentos p\u00fablicos e os pr\u00e9dios de alto gabarito da \u00e1rea central foram publicados na p\u00e1gina no sentido vertical, o que valoriza tanto a forma desses pr\u00e9dios quanto cria um movimento do olhar em dire\u00e7\u00e3o ascensional. Outros efeitos de luz sobre os pr\u00e9dios e inten\u00e7\u00e3o de enquadramento (pontual ou parcial, centralidade) ajudam a amplificar aquele efeito de monumentalidade da arquitetura (destacando linhas, volumes, formas e linguagens construtivas). O ret\u00e2ngulo horizontal \u00e9 utilizado para a representa\u00e7\u00e3o de pra\u00e7as, avenidas e vistas parciais do centro e arrabaldes, permitindo incluir os pr\u00e9dios no entorno das pra\u00e7as e da diversidade de esp\u00e9cies de \u00e1rvores; tamb\u00e9m produz um efeito de perspectiva e profundidade na representa\u00e7\u00e3o de avenidas, quando associada \u00e0 posi\u00e7\u00e3o da c\u00e2mara alta.<\/p>\n<p>A altern\u00e2ncia na forma de disposi\u00e7\u00e3o das fotografias na p\u00e1gina, entre o ret\u00e2ngulo vertical (35) e o ret\u00e2ngulo horizontal (29) ao longo da s\u00e9rie, tamb\u00e9m exige do leitor a rota\u00e7\u00e3o da obra para a visualiza\u00e7\u00e3o de certas imagens, produzindo um efeito din\u00e2mico \u00e0 s\u00e9rie. Esse efeito de dinamismo se amplia quando, da segunda metade da s\u00e9rie para o final, o n\u00famero de imagens por p\u00e1gina aumenta de uma para duas e, depois, para quatro.<\/p>\n<p>O recorte temporal das imagens pode ser divido da seguinte forma: tr\u00eas fotos referem-se ao per\u00edodo entre 1900 e 1930, e 61 fotografias representam o intervalo entre os anos 1930 e 1940. Essa s\u00e9rie se articula com a s\u00e9rie anterior sobre a \u201cvelha cidade\u201d, representando o momento presente atrav\u00e9s de um invent\u00e1rio dos principais espa\u00e7os urbanos de Porto Alegre em que se destaca o processo de moderniza\u00e7\u00e3o durante o Estado Novo. Nesse sentido, publicaram-se imagens de pr\u00e9dios de alto gabarito, largas avenidas e fotos noturnas, destacando a ilumina\u00e7\u00e3o e o tr\u00e1fego na \u00e1rea central. Por\u00e9m, se essa s\u00e9rie come\u00e7a com uma fotografia em close de um fragmento da fachada do Edif\u00edcio Nunes Dias, localizado na Avenida Borges de Medeiros esquina com Rua da Praia, de alto gabarito e representando a moderniza\u00e7\u00e3o e a verticaliza\u00e7\u00e3o do centro, na seq\u00fc\u00eancia ela traz uma s\u00e9rie de imagens de antigas igrejas (6 fotos), que negociam esse presente com o passado da cidade. Nas p\u00e1ginas 252 e 253, encontram-se lado a lado uma foto do in\u00edcio do s\u00e9culo XX (c. 1920), com uma antiga rua que levava \u00e0 Igreja Luterana, e, uma outra, que apresenta a reurbaniza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea com a cria\u00e7\u00e3o da Pra\u00e7a Ot\u00e1vio Rocha com a Igreja novamente ao fundo. As legendas das fotos enfatizam essa transforma\u00e7\u00e3o de \u201cA velha rua que levava ao Templo Evang\u00e9lico\u201d para \u201cO Novo Parque, a linda Pra\u00e7a Ot\u00e1vio Rocha, fronteira \u00e0 Igreja Evang\u00e9lica\u201d. Ou seja, a s\u00e9rie valoriza o novo e as mudan\u00e7as da paisagem urbana atrav\u00e9s do processo de moderniza\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m constr\u00f3i uma ponte entre o passado e o presente. Este visto como supera\u00e7\u00e3o daquele e proje\u00e7\u00e3o do futuro, como indica o subt\u00edtulo da obra.<\/p>\n<p>O recorte espacial produzido pelas imagens sobre a cidade pode ser sinteticamente organizado da seguinte forma: 40 fotografias representam espa\u00e7os urbanos do centro da cidade, 20 fotografias referem-se a sete bairros (Bom Fim, Menino Deus, Moinhos de Vento, Floresta, Azenha e Cidade Baixa), duas fotos representam espa\u00e7os perif\u00e9ricos (as ilhas, e um espa\u00e7o identificado como \u201cnos arredores\u201d), e, finalmente, duas imagens referem-se a espa\u00e7os rurais de Porto Alegre. Logo, o centro urbanizado e modernizado e que disp\u00f5e de todos os servi\u00e7os urbanos \u00e9 super-representado, ou seja, \u00e9 a meton\u00edmia da cidade (a parte pelo todo). A sele\u00e7\u00e3o das imagens dos bairros foi realizada a partir da presen\u00e7a de pr\u00e9dios arquitet\u00f4nicos representativos; de ind\u00edcios do processo de moderniza\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do espa\u00e7o urbano sobre novas \u00e1reas; de formas de sociabilidade da elite ou de aspectos pitoresco da cultura urbana local. Assim sendo, privilegiava-se o bairro residencial Moinhos de Vento (6 fotos), habitado pela nova elite social e econ\u00f4mica ligada ao com\u00e9rcio e \u00e0 ind\u00fastria. Nesse bairro, ganharam destaque as imagens que representavam a nova Hidr\u00e1ulica, com seus jardins e monumentos p\u00fablicos. Local de passeio e sociabilidade da elite que testemunhava novos processos modernos, saud\u00e1veis e higi\u00eanicos, empregados no tratamento da \u00e1gua da cidade. Fora do centro da cidade, outro espa\u00e7o privilegiado foi o Parque Farroupilha (localizado entre o centro e os bairros Bom Fim e Cidade Baixa), que representa um novo paisagismo urbano composto por novos espa\u00e7os de lazer e de pr\u00e1tica de esportes (4 fotos). Esses novos h\u00e1bitos foram estimulados pelo Estado Novo visando \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de corpos saud\u00e1veis para o trabalho; a defesa da p\u00e1tria e a purifica\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da s\u00e9rie aponta para o predom\u00ednio da representa\u00e7\u00e3o de certos grupos de tem\u00e1ticas e de conte\u00fados: monumentos p\u00fablicos (13), pr\u00e9dios p\u00fablicos (11), igrejas (9), pra\u00e7as e parques (7), avenidas (5), teatros (2), escolas (1), vistas parciais do centro (5), vistas parciais dos bairros e arredores (3), outros (4).<\/p>\n<p>O conjunto da s\u00e9rie representa uma vis\u00e3o tur\u00edstica, moderna, higienista e, por vezes, pitoresca da cidade e da sociedade local. As fotos t\u00eam formalmente uma liga\u00e7\u00e3o com a pintura de paisagem, percept\u00edvel pelo seu formato (ret\u00e2ngulo horizontal), pelo destaque dado a pr\u00e9dios p\u00fablicos e igrejas fotografadas com \u201cmolduras verdes\u201d ou com jardins e pra\u00e7as em primeiro plano. Mas tamb\u00e9m, pela rela\u00e7\u00e3o entre essas fotografias e as reprodu\u00e7\u00f5es de gravuras com molduras douradas ao longo de toda a obra, que representam os mesmo espa\u00e7os urbanos.<\/p>\n<p>Os espa\u00e7os constru\u00eddos em pedra e cal predominam nessa s\u00e9rie sobre a representa\u00e7\u00e3o de sujeitos urbanos, seguindo a concep\u00e7\u00e3o de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e art\u00edstico formado pelos monumentos imperec\u00edveis do passado e do presente deixados para as gera\u00e7\u00f5es futuras. Em apenas duas cenas s\u00e3o representados trabalhadores que aparecem tipificados como \u201cos canoeiros\u201d, referindo-se a um aspecto pitoresco da cidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 um claro predom\u00ednio da representa\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios p\u00fablicos, como a sede dos poderes municipais e estaduais, bem como de reparti\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os federais, que constroem uma imagem oficialista da cidade e das liga\u00e7\u00f5es entre essas tr\u00eas inst\u00e2ncias de poder no contexto do Estado Novo. A administra\u00e7\u00e3o municipal e a estadual surgem como os protagonistas desse processo de moderniza\u00e7\u00e3o da sociedade e do espa\u00e7o urbano.<\/p>\n<p>Os monumentos constroem uma ponte entre o presente e o passado glorioso de lutas do Estado do Rio Grande do Sul no contexto da Na\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a de v\u00e1rias imagens em close de igrejas aponta para a solidariedade entre os poderes civis laicos e o poder religioso da Igreja Cat\u00f3lica. Essa rela\u00e7\u00e3o entre as diferentes esferas de poder e a Igreja Cat\u00f3lica \u00e9 constru\u00edda desde o in\u00edcio da obra, pela publica\u00e7\u00e3o das fotografias de p\u00e1gina inteira do Interventor Federal, o Coronel Osvaldo Cordeiro de Farias; do Prefeito Municipal de Porto Alegre, Loureiro da Silva; do Comandante da Terceira Regi\u00e3o Militar, General E. Leit\u00e3o de Carvalho, e do Arcebispo Metropolitano, D. Jo\u00e3o Becker.<\/p>\n<p>A tr\u00edade \u2018passado, tradi\u00e7\u00e3o e modernidade\u2019 caracteriza uma equa\u00e7\u00e3o discursiva e visual na obra que faz as gl\u00f3rias conquistadas no passado se prolongarem nas realiza\u00e7\u00f5es do presente visando \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de uma nova sociedade moderna, ordenada, higi\u00eanica e produtiva, que se projeta para o futuro. A an\u00e1lise de algumas imagens dessa s\u00e9rie permite compreender como essas id\u00e9ias se constroem visualmente, muito embora apenas a s\u00e9rie no seu todo permita perceber a constru\u00e7\u00e3o da narrativa que costura e relaciona essas diferentes temporalidades.<\/p>\n<p>A fotografia da p\u00e1gina 261 representa uma das principais avenidas do centro da cidade (Borges de Medeiros), cujo nome estabelece um elo com o passado, pois relembra o eterno Presidente da Prov\u00edncia durante a Primeira Rep\u00fablica e l\u00edder do Partido Republicano Riograndense.\u00a0 De tamanho grande (p\u00e1gina inteira: 24 x 19 cm) e em formato retangular, posicionada no sentido vertical, a foto refor\u00e7a o efeito de verticalidade dos pr\u00e9dios e de perspectiva da avenida representados. A fotografia foi tomada do alto de um pr\u00e9dio no sentido descensional.\u00a0 O destaque \u00e9 dado para a avenida, em primeiro plano, e para os edif\u00edcios, em segundo plano, que ocupam quase todo o espa\u00e7o enquadrado pela fotografia. A ilumina\u00e7\u00e3o natural do sol do meio dia se projeta sobre a avenida e a fachada dos pr\u00e9dios, destacando-os. Os carros, bondes e transeuntes representados enfatizam a circula\u00e7\u00e3o de pessoas, mercadorias e capital no centro da cidade, construindo o significado de dinamismo e produtividade. Eles tamb\u00e9m permitem dar a id\u00e9ia da escala do tamanho monumental dos pr\u00e9dios e da avenida. A legenda completa essa opera\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando e direcionando o olhar para o que se quer dar a ver na fotografia: \u201cuma s\u00e9rie ininterrupta de edif\u00edcios altaneiros\u201d (Franco, 1941, p. 261). A foto est\u00e1 organizada a partir de uma linha diagonal que a travessa o centro da imagem constru\u00edda pela avenida e pela sucess\u00e3o de pr\u00e9dios com uma unidade formal, sugerindo um caminho ao olhar e um sentido de leitura da imagem ascensional (enfatizando mais uma vez a verticalidade dos edif\u00edcios). Ela se completa com o Viaduto Ot\u00e1vio Rocha (outra das grande obras p\u00fablicas e vi\u00e1rias municipais do per\u00edodo). Algumas p\u00e1ginas adiante, outra imagem retoma e refor\u00e7a v\u00e1rios significados sociais de cidade moderna constru\u00eddos nessa fotografia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-65\" title=\"charles3\" src=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles3-208x300.jpg\" alt=\"\" width=\"208\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles3-208x300.jpg 208w, https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles3.jpg 625w\" sizes=\"auto, (max-width: 208px) 85vw, 208px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Franco, \u00c1lvaro et al, <strong>Porto Alegre: Biografia duma cidade. Monumento do passado, documento do presente, guia do Futuro<\/strong>, Porto Alegre, Tipografia do Centro, s.d. [1941].<\/p>\n<p>Numa vista parcial do centro da cidade, na p\u00e1gina 268, de p\u00e1gina inteira e formato retangular horizontal, novamente, destacam-se os pr\u00e9dios do centro. Esse tipo de vista permite enfatizar os significados do processo de adensamento e expans\u00e3o da malha urbana. Trata-se de uma tomada tirada com c\u00e2mara alta, obtida a partir do alto de um pr\u00e9dio, que permite ver em dist\u00e2ncia sobre os telhados de outros pr\u00e9dios. Destaca-se ao longe, em segundo plano, um conjunto de altos edif\u00edcios em constru\u00e7\u00e3o. A imagem dos pr\u00e9dios comp\u00f5e um arranjo ca\u00f3tico que d\u00e1 a id\u00e9ia de dinamismo e intensidade. Os telhados dos pr\u00e9dios, em primeiro plano, em tons mais escuros, contrastam com as fachadas iluminadas pelo sol do meio dia dos pr\u00e9dios de alto gabarito, em segundo plano, criando um efeito de oposi\u00e7\u00e3o e tens\u00e3o entre eles.\u00a0 A legenda aponta para o que se deve prestar mais aten\u00e7\u00e3o na imagem: \u201cos arranha-c\u00e9us v\u00e3o repelindo, sempre mais, as antigas casas de moradia\u201d (Franco, 1941, p. 268).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles4.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-66\" title=\"charles4\" src=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles4-300x209.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"209\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Franco, \u00c1lvaro et al, <strong>Porto Alegre: Biografia duma cidade. Monumento do passado, documento do presente, guia do Futuro<\/strong>, Porto Alegre, Tipografia do Centro, s.d. [1941].<\/p>\n<p>Ao final da s\u00e9rie, essa foto retoma significados que vinham sendo constru\u00eddos anteriormente e os condensa. A foto de tamanho grande (meia p\u00e1gina), no formato ret\u00e2ngulo horizontal, tematicamente privilegia a representa\u00e7\u00e3o da Avenida Borges de Medeiros ladeada por pr\u00e9dios de alto gabarito. Trata-se de uma foto noturna tirada com c\u00e2mara alta de cima do viaduto Ot\u00e1vio Rocha, no sentido descensional e com longa exposi\u00e7\u00e3o do filme para permitir um bom contraste entre os pr\u00e9dios e o fundo escuro do c\u00e9u. Observam-se as marcas luminosas deixadas pela passagem dos autom\u00f3veis na avenida e as luzes estouradas dos postes de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre o viaduto. O espa\u00e7o privilegiado \u00e9, novamente, o centro da cidade com sua moderna infra-estrutura de servi\u00e7os urbanos: largas avenidas, arborizadas, servidas por transportes p\u00fablicos, iluminadas e ladeadas por pr\u00e9dios de alto gabarito. O dinamismo da foto \u00e9 dado pelos trajetos de luz deixados pelos far\u00f3is dos autom\u00f3veis, que constroem o significado de capital din\u00e2mica, que n\u00e3o p\u00e1ra nem \u00e0 noite, oferecendo moderna infra-estrutura urbana, seguran\u00e7a e m\u00faltiplas op\u00e7\u00f5es de lazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-67\" title=\"charles5\" src=\"http:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-content\/uploads\/sites\/28\/2010\/07\/charles5-1024x770.jpg\" alt=\"\" width=\"461\" height=\"347\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Franco, \u00c1lvaro et al, <strong>Porto Alegre: Biografia duma cidade. Monumento do passado, documento do presente, guia do Futuro<\/strong>, Porto Alegre, Tipografia do Centro, s.d. [1941].<\/p>\n<p>Por\u00e9m, as reformas urbanas e as conseq\u00fcentes mudan\u00e7as na estrutura urbana n\u00e3o ocorreram sem causar tens\u00f5es na sociedade porto-alegrense. O que est\u00e1 ausente dessa representa\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 a desigualdade social que ia se aprofundando entre as classes sociais e a especializa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano, com a segrega\u00e7\u00e3o das camadas populares para a periferia da cidade, onde surgiam vilas de casas sem a m\u00ednima infra-estrutura. Houve uma perda de soberania da sociedade civil no processo de constru\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do espa\u00e7o pol\u00edtico urbano frente \u00e0 a\u00e7\u00e3o de um governo municipal autorit\u00e1rio \u2013 nomeado pelo interventor federal \u2013 e o crescimento da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria de investidores privados que monopolizaram o mercado de terras e o setor de constru\u00e7\u00e3o civil.\u00a0 As demoli\u00e7\u00f5es de muitas quadras, pr\u00e9dios e casas para a abertura das novas e modernas avenidas causaram a expuls\u00e3o de muitas fam\u00edlias e a transforma\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os centrais da cidade. (Amado; Kefel, 1945, p. 40)<\/p>\n<p>\u00c0 medida que aquele presente se acelerava pelas mudan\u00e7as provocadas nos espa\u00e7os urbanos \u2013 com a demoli\u00e7\u00e3o de antigos pr\u00e9dios e de quarteir\u00f5es inteiros, provocando a transfer\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es \u2013 e os urbanistas e administradores projetavam o futuro da cidade, historiadores, fot\u00f3grafos e editores revisaram a hist\u00f3ria da sociedade porto-alegrense visando a assegurar a passagem de uma \u201ccerta\u201d heran\u00e7a sociocultural e identidade urbana, que legitimasse o projeto pol\u00edtico do presente.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie fotogr\u00e1fica <em>A vida na velha Porto Alegre. Reminisc\u00eancias gr\u00e1ficas<\/em> cumpria uma dupla fun\u00e7\u00e3o, tanto de \u201catestar\u201d a moderniza\u00e7\u00e3o da cidade quanto de oferecer alguns pontos de orienta\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o urbano para ligar esse passado ao presente, atrav\u00e9s de alguns pr\u00e9dios arquitetonicamente representativos do per\u00edodo como o Teatro S\u00e3o Pedro, o Mercado P\u00fablico e a Igreja das Dores. Esses pr\u00e9dios n\u00e3o s\u00f3 representavam a alian\u00e7a entre os poderes temporais e espirituais na condu\u00e7\u00e3o do processo de mudan\u00e7as, mas tamb\u00e9m alicer\u00e7avam o presente em transforma\u00e7\u00e3o no passado, por meio de regime de visualidade pautado pelo documental, monumental e oficial.<\/p>\n<p>Ao final da s\u00e9rie <em>Excurs\u00e3o caleidosc\u00f3pica atrav\u00e9s da cidade<\/em>, aparece uma seq\u00fc\u00eancia de fotos a\u00e9reas com vistas panor\u00e2micas da cidade, onde se destacam as avenidas, os pr\u00e9dios p\u00fablicos e os modernos edif\u00edcios do centro de Porto Alegre. Em seu conjunto, essa s\u00e9rie representa uma vis\u00e3o tur\u00edstica, moderna, higienista e, tamb\u00e9m, pitoresca da cidade.<\/p>\n<p>Concluindo, as s\u00e9ries fotogr\u00e1ficas publicadas na obra comemorativa <em>Porto Alegre. Biografia duma cidade<\/em> procuravam construir uma hist\u00f3ria visual da cidade que legitimasse as reformas urbanas da administra\u00e7\u00e3o Loureiro da Silva no contexto pol\u00edtico do Estado Novo. Apesar de sua administra\u00e7\u00e3o demolir e eliminar antigos pr\u00e9dios, becos e ruas da cidade, ela procurava, atrav\u00e9s dos textos e das imagens na obra, construir um elo de continuidade com a experi\u00eancia social urbana do s\u00e9culo XIX e legitimar a moderniza\u00e7\u00e3o e a transforma\u00e7\u00e3o desse mesmo espa\u00e7o social urbano herdado.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong>:<\/p>\n<p>Amado, J.; Kefel, Ed, Jo\u00e3o Macaco, \u201cO Demolidor\u201d, en Revista do Globo, Porto Alegre, ano 17, n.\u00ba 392, 11.8.1945, p. 40.<\/p>\n<p>Etcheverry, Carolina, Vis\u00f5es de Porto Alegre nas fotografias dos Irm\u00e3os Ferrari (c. 1888) e de V\u00edrgilio Calegari (c.1912), Porto Alegre, 2007. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Artes Visuais) \u2013 Instituto de Artes, PPGAV, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Franco, \u00c1lvaro et al, Porto Alegre: Biografia duma cidade. Monumento do passado, documento do presente, guia do Futuro, Porto Alegre, Tipografia do Centro, s.d. [1941].<\/p>\n<p>Faria, L. A. Ubatuba de; PAIVA, Eduardo. P<strong>,<\/strong> Contribui\u00e7\u00e3o ao Estudo da Urbaniza\u00e7\u00e3o de Porto Alegre. Porto Alegre, [s. ed.], 1938.<\/p>\n<p>Gertz, Ren\u00e9 Ernaine, O Estado Novo no Rio Grande do Sul, Passo Fundo, UPF, 2005.<\/p>\n<p>Gomes, \u00c2ngela de Castro, Hist\u00f3ria e historiadores. A pol\u00edtica Cultural do Estado Novo, Rio de Janeiro, Editora da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, 1996.<\/p>\n<p>Gutfreind, Ieda, A historiografia Rio-grandense, 2 ed. Porto Alegre, UFRGS, 1998.<\/p>\n<p>Kossoy, Boris, Realidades e fic\u00e7\u00f5es na trama fotogr\u00e1fica, Cotia, SP, Ateli\u00ea, 2002.<\/p>\n<p>Lima, Solange Ferraz de; Carvalho, V\u00e2nia Carneiro de, Fotografia e Cidade. Da raz\u00e3o urbana \u00e0 l\u00f3gica do consumo. \u00c1lbuns de S\u00e3o Paulo (1887-1954), Campinas, SP, Mercado das Letras, S\u00e3o Paulo, FAPESP, 1997.<\/p>\n<p>Mauad, Ana Maria, Na Mira do olhar: um exerc\u00edcio de an\u00e1lise nas revistas ilustradas cariocas, na primeira metade do s\u00e9culo XX, en Anais do Museu Paulista, jan.\/jun.; ano 2005\/vol. 13, n. 1, Universidade de S\u00e3o Paulo, Brasil, p. 133-174.<\/p>\n<p>Meneses, Ulpiano T. Bezerra de, \u201cRumo a uma Hist\u00f3ria Visual\u201d, en Martins, Jos\u00e9 de Souza; Eckert, Corn\u00e9lia; Novaes, Sylvia Caiuby (eds.), O imagin\u00e1rio e o po\u00e9tico nas Ci\u00eancias Sociais, Bauru, EDUSC, 2005, pp. 33-56.<\/p>\n<p>Monteiro, Charles, Porto Alegre e suas escritas: Historia e mem\u00f3rias da cidade, Porto Alegre, EDIPUCRS, 2006a.<\/p>\n<p>___. \u201cHist\u00f3ria, fotografia e cidade: reflex\u00f5es te\u00f3rico-metodol\u00f3gicas sobre o campo de pesquisa\u201d, \u00a0en M\u00e9tis: Hist\u00f3ria e Cultura, Revista de Hist\u00f3ria da Universidade de Caxias do Sul, v. 5, n. 9, jan.\/jun. 2006b, pp. 11-23.<\/p>\n<p>___. \u201cImagens sedutoras da modernidade urbana: reflex\u00f5es sobre a constru\u00e7\u00e3o de um novo padr\u00e3o de visualidade urbana nas revistas ilustradas na d\u00e9cada de 1950\u201d, en Revista Brasileira de Hist\u00f3ria, vol. 27, n. 53, 2007, pp. 159-176.<\/p>\n<p>M\u00fcller, G, A Economia Pol\u00edtica Ga\u00facha dos anos 30 aos 60, en DACANAL, J. H.; Gonzaga, Sergius (ed.), RS: Economia &amp; Pol\u00edtica, 2\u00aa ed., Porto Alegre, Mercado Aberto, 1993, p. 358-370.<\/p>\n<p>Paiva, Edvaldo Pereira, Expediente Urbano de Porto Alegre, Porto Alegre, Imprensa Oficial, 1943.<\/p>\n<p>Possamai, Zita Rosane, Cidade Fotografada: mem\u00f3ria e esquecimento nos \u00e1lbuns fotogr\u00e1ficos \u2013 Porto Alegre d\u00e9cadas de 1920 e 1930. Porto Alegre, 2005. Tese (Doutorado em Hist\u00f3ria Social) &#8211; PPGH, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Sandri, Sinara B., Um fot\u00f3grafo na mira do tempo. Porto Alegre, por Virg\u00edlio Calegari. Porto Alegre, 2007, Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria), Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas, PPGH, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Santos, A. R. O gabinete do Dr. Calegari: considera\u00e7\u00f5es sobre um bem-sucedido fabricante de imagens. In: Achutti, Luis Eduardo Robinson. (ed.), Ensaios sobre o fotogr\u00e1fico, Porto Alegre, Unidade Editorial; Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 1998, p. 23-35.<\/p>\n<hr size=\"1\" \/><a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftnref1\">[1]<\/a> Doutor em  Hist\u00f3ria Social (PUCSP\/Lyon 2), Professor Adjunto de Hist\u00f3ria do PPGH da PUCRS e membro do GT de Hist\u00f3ria Cultural da ANPUH.<\/p>\n<p><a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftnref2\">[2]<\/a> Kossoy (2002: 73-123) analisa a forma como o Imp\u00e9rio procurou construir atrav\u00e9s do <em>\u00c1lbum de<\/em> <em>vues du Br\u00e9sil<\/em>, um anexo da obra <em>L\u00e9 Br\u00e9sil<\/em> editada por ocasi\u00e3o da Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Paris de 1889, uma imagem do pa\u00eds que despertasse interesse e estimulasse a vinda de imigrantes e de capitais para o Brasil.<\/p>\n<p><a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftnref3\">[3]<\/a> Conforme as estat\u00edsticas oficiais que constam em Franco (1941:19).<\/p>\n<p><a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftnref4\">[4]<\/a> A taxa de crescimento m\u00e9dio da popula\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio nos anos 1940 foi de 2,2%, que, apesar de menor do que a verificada nos anos 1900, de 3,4 %, e 1920, de 3,2%, devido \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o estrangeira, continuou importante (Monteiro, 2006a, p. 35-89). Em paralelo \u00e0 abertura dessas avenidas, foram realizados estudos para a elabora\u00e7\u00e3o do Plano Diretor da cidade por Ubatuba de Faria e Edvaldo Pereira Paiva (Faria; Paiva, 1938). A elabora\u00e7\u00e3o do Plano Diretor contou, ainda, com a colabora\u00e7\u00e3o do urbanista Arnaldo Gladosh, em 1941. O <em>Expediente Urbano<\/em> (Paiva, 1943), como foi chamado esse documento, projetou grandes obras vi\u00e1rias, como a canaliza\u00e7\u00e3o do Arroio Dil\u00favio contra enchentes, aterros na orla do Gua\u00edba, ajardinamentos, amplia\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos e o zoneamento urbano \u2013 com a especializa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas urbanas por atividade \u2013 e foi parcialmente inspirado no <em>Plano de Avenidas<\/em> de S\u00e3o Paulo, de Prestes Maia, e no <em>Plano Vi\u00e1rio e de Ajardinamentos do Rio de Janeiro<\/em> de Alfred Agache.<\/p>\n<p><a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftnref5\">[5]<\/a> Cf. Monteiro (2006a). Segundo Gomes (1996, p. 146), o governo federal elaborou \u201cverdadeiro calend\u00e1rio de comemora\u00e7\u00f5es de centen\u00e1rios de nascimentos ou mortes dos mais not\u00e1veis vultos, acontecimentos e institui\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria do Brasil\u201d. Al\u00e9m disso, promoveu a realiza\u00e7\u00e3o de congressos e subsidiou in\u00fameras publica\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da Imprensa Nacional e das imprensas oficiais dos estados.<\/p>\n<p><a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftnref6\">[6]<\/a> Walter Spalding (Diretor da Biblioteca Municipal), \u00c2ngelo Guido (Instituto de Artes), Ari Martins (Academia Riograndense de Letras), Padre Baldu\u00edno Rambo (Professor do Gin\u00e1sio Anchieta), Ernani Correa (Engenheiro da Prefeitura e s\u00f3cio correspondente do Instituto dos Arquitetos do Brasil), Gustavo Moritz (Redator do Correio do Povo), Nestor Erickson (Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Rio-grandense de Imprensa e Secret\u00e1rio do Correio do Povo), Jaci A. L. Tupi Caldas (Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico do Rio Grande do Sul), Luis Felipe Castilhos Goycochea (IHGRS), Olimtho Sanmartin (Presidente da Academia de Letras e membro do IHGRGS), Monsenhor Jo\u00e3o Maria Balem (Cura da Catedral Metropolitana).<\/p>\n<p><a href=\"\/Documents%20and%20Settings\/Dise%C3%B1o\/Mis%20documentos\/Downloads\/Articulo%20Modernidades%20sin%20imagenes.doc#_ftnref7\">[7]<\/a> Cabe apontar para o fato de que a autoria, a data e a t\u00e9cnica empregada na produ\u00e7\u00e3o das imagens n\u00e3o s\u00e3o referidas na obra e que, devido ao processo de reprodu\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito dif\u00edcil determin\u00e1-los com certeza. Algumas imagens s\u00e3o reprodu\u00e7\u00f5es de vistas da cidade feitas por Virg\u00edlio Calegari, por\u00e9m a autoria da maioria dessas imagens \u00e9 desconhecida. Logo, cabe pensar o processo de constru\u00e7\u00e3o de sentidos gerais e problematizar a forma como se d\u00e1 a ver a cidade atrav\u00e9s dessas s\u00e9ries visando a discutir as representa\u00e7\u00f5es e significados sociais produzidos e colocados em circula\u00e7\u00e3o pela obra no contexto dos anos 1940.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Charles Monteiro[1]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[7],"class_list":["post-26","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-articulos","tag-charles-monteiro"],"acf":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ffyh.unc.edu.ar\/modernidades\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}